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* O fato de eu não ser um deles implica que sou CONTRA eles, não importa qual seja meu argumento, juízo de valores, contexto etecétera: municiam-se do truculento reducionismo arbitrário.
Saio rumo à padaria mais próxima pra comprar pão de queijo. Mentira. Mero pretexto. Pão de queijo é coisa de viado. Na verdade saio afoito para a Sex Shop a fim de aproveitar a liquidação de vibradores de poliuretano desenvolvidos pela NASA. Na volta, poucas quadras adiante, um pivete remelento me aborda e anuncia o assalto. Dois alunos uga-uga de jiu-jitsu passam observando, e interceptam o criminoso. Imobilizam, tabefeam, subjugam e depois escorraçam o pirralho. Resumindo: são Anjos da Guarda. Deus os usou para me salvar daquele vilão. Logo, convém constatar que aquela criança foi instrumento do Cramulhão, e o meu bom senso e ciência de causa devem ignorar o fato de, malgrado ela ter apenas 9 anos de idade, já ser usuária de crack, não conhecer o pai mas saber que a mãe está presa. Todavia, por razões sobejantes, nada disso influenciou seu comportamento. O católico ao qual relatei o ocorrido assegurou: “Viu? Deus dá provas de Sua existência todo momento, e você reluta em crer na Sua existência. (...) Ele usa os outros para nos defender do Demônio. Reconheça!”
Deus é justo.
Deus salvou minha pele. Ele me ama e sabe o que faz. Incondicionalmente. Aleluia. Ama a todos, aliás. “Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido.” (Salmos 90,7). Agradeci pela solicitude dos guardiões. Em sinal de gratidão, partilhei os pães de queijo, peguei o número do celular deles e fui por aí. Curtir o vibra, só na placidez do dia seguinte.
Os dois Anjos passavam diante da loja em que eu havia adquirido meu mimo pouco tempo atrás, até que um deles sinaliza: “Saca a porção de bichas lá dentro!”, e seguem, putos, rangendo os dentes. Eles vão na cola de uma delas, que se retira livre-leve-solta do lugar. Dobram a esquina. Enquadram-na. Imobilizam, tabefeam, subjugam e depois escorraçam a biba. Uma viatura aparece, espevitada feito uma Drag noiada. Os PMs descem e prendem os agressores bibafóbicos.
Decorrido o fuzuê, queixa na Depol e blablablas cediços, o referido gay vai embora. Ufa. Enfim em casa. Senta-se. Pega a latinha, pede a um moleque de 9 anos pra acender a pedra, e conta:
“Viu? Deus dá provas de Sua existência todo momento, e você reluta em crer na Sua existência. (...) Ele usa os outros para nos defender do Demônio. Reconheça!”